domingo, outubro 15, 2006

reposição

- Então diga-me lá... como é que a perdeu?
- Não sei...
(como é que a perdi... foi num abraço... tirei a que tinha no ombro esquerdo, porque fica do lado mais importante, e era das primeiras que tinha recebido, e meti-a num bolso com areia... disse "leva isto, não é verde, mas é do verde"... tolo sentimentalista)
... deve ter ficado presa em algum galho durante o serviço.
- Passe no armazém e peça ao colega que lhe dê um par novo.

sexta-feira, outubro 13, 2006

uma suposição

Digamos que quem lança os dados, sobre certos assuntos pessoais da humanidade, uma criança, rolava um 11... e por isso tinha direito a escolher duas pessoas. Duas pessoas perfeitamente ao acaso... um outro jogador, um velhote carregado de ampulhetas, acha piada à escolha, de forma a tornar o desafio mais interessante, aparta-os uma mão cheia de anos um do outro... um terceiro jogador, o que destina, não satisfeito com o trajecto que a brincadeira da criança levava, afasta-os geograficamente milhares de quilómetros... enquanto isto uma senhora de vestes longas, uma que se afasta ao seu nome, observa esta estranha diversão... e interpõe – Posso participar? – ... contrariados (todos excepto a criança), aceitam-na com desconfiança... ela escolhe o meio, um algures entre a realidade e o imaterial... eles aplaudem a escolha! Ela sorri serena e subtilmente dizendo - Os humanos conseguem sempre surpreender-me – ... os aplausos cessam, o tal que destina diz – Tu não... Eles não vão... Vão? – ela, mantendo o sorriso, afasta-se dizendo apenas – Os dados foram lançados... eu só faço a minha parte.

segunda-feira, outubro 09, 2006

estrelas cadentes

Quantos de nós é que olham para o céu durante a noite? Poucos... se calhar ninguém olha para o céu hoje em dia (ou será "hoje em noite"?)... também, numa cidade com tanto barulho que as luzes fazem, é compreensível que olhar para cima não tenha tanta piada.
A iluminação não nos deixa distinguir as "pintas" brilhantes por cima das nossas cabeças! Eu, considero-me afortunado nesse sentido, trabalho onde a luz artifical cá em baixo, ainda me permite admirar o céu de vez em quando... não com a composta imensidão e intrincada beleza que se vê numa serra qualquer perdida no interior do país, mas mesmo assim, quando levanto o olhar, ainda consigo ver qualquer coisa...
Uma das últimas vezes que "olhei para cima" tive sorte! Vi uma cadente... imensa! Deixou um rasto longo enquanto queimava na atmosfera... e estrela cadente que é estrela cadente (ainda mais esta pela dimensão) tem que ser carregada com um desejo!
A última vez que me lembro de o ter feito... admito que fui egoista. Pedi algo para mim... algo que, eventualmente ou não, acabou por se realizar... devia ter pedido algo para outra pessoa. Alguém necessitava mais "daquele desejo" do que eu... é estúpido pensar desta maneira, mas acabo por me sentir culpado pela ausência (uma ausência definitiva) de uma pessoa por causa de um desejo feito a uma estrela cadente... mas desta vez, isso não vai acontecer! Não peço para mim, peço para alguém... porque a sua felicidade me faz feliz a mim!
(constelação de Leão... uma feliz coincidência)

sexta-feira, outubro 06, 2006

numismática

A verdadeira utilidade das "nossas" moedas... as pequeninas, as de 1 e 2 cêntimos... as esquecidas, porque "nós" somos ricos, e preço que é preço, ou acaba em "5" ou em "0"!

Alguém sabe qual é o papel dessas tão incompreendidas moedas na nossa complexa sociedade?

Ah! Pensavam que elas não existiam... é normal. Mais informações sobre a utilidade das ditas moedas... dirigam-se ao Banco de Portugal.

terça-feira, outubro 03, 2006

rain

Here comes the rain...
E os dias já são de chuva...
E a cadeira está vazia!...
E os pés estão molhados?...
E o tempo não chega para quase nada...
Keep on smiling

sábado, setembro 30, 2006

quatrocentos e vinte e oito

Hora e meia passada...
a égua loira pasta...
sento-me no chão e aprecio a vista...
é sábado...
vejo o mesmo mar, o mesmo sol, o mesmo prateado a encher o horizonte...
lembro o riso, a areia e o cheiro (faz parte da presença)...
o sonho mantem-se suspenso numa frase relembrada tantas vezes que lhe perdi a conta...
o encanto, esse é agora maior...
e a saudade...
imensa!

sexta-feira, setembro 29, 2006

abóboras

Mas... será possível?! Há abóboras por todo o lado! E agora como é que eu faço o almoço?!

português

- Andamos enfadados.
- Atão?
- É dos catchos.
- Pois...
- Já tou belha.

(diz constantemente que não gosto dela... e que trato a outra melhor do que a trato a ela, porque nunca me viu fazer "traquinices" de neto à outra... pois eu não lhe faria tais coisas se não adorasse esta velhota, e ela sabe-o bem... mas continua a dizer o mesmo "tu não gostas de mim", só para que eu lhe dê um abraço de seguida e lhe diga "sabes bem que gosto")

terça-feira, setembro 26, 2006

doce de abóbora

  • 1 kg de abóbora amarela
  • 800 grs de açúcar
  • 1 pau de canela
  • 2 cravos-da-índia
Preparação:
Descasca-se a abóbora limpa-se de filamentos e pevides, corta-se aos bocados pequeninos e passa-se por água. Põe-se num tacho, e leva-se ao lume brando, com o açúcar e o pau de canela e deixa-se cozer. Quando começar a cristalizar juntam-se os cravos. O doce está pronto quando, passando com a colher de pau, se veja o fundo do tacho. Retira-se do lume deita-se numa taça. Serve-se frio com requeijão.
* Se não gostar de encontrar bocadinhos de abóbora, depois do doce estar pronto passe com a varinha, se preferir sirva com caracóis, em malgas verdes, ou como acompanhamento de sonhos.

ericeira

"Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável."

Isto devia estar escrito algures à beira de água... conversa de marinheiro!... ou não... hmmmm... "there ain't no wind to fill your sales"... conversa de escritor... de certeza!... "i'm six feet from the edge and i'm thinking"... sem dúvida conversa de músico!...

Adaptação livre:
"Quando não há vento, inventa um propulsor... e se levantares voo por causa das asas e caires porque não és um pássaro... levanta-te e vai a pé!"

(e eu lá estou com espírito para dar razão a escrita depressiva?!)