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quinta-feira, outubro 29, 2020

chuva, crianças e passadeiras

Imagem original aqui.
Caminhado rua acima acompanhado com duas crianças debaixo de chuva. Bem, não propriamente debaixo de chuva mas debaixo de chapéus-de-chuva, dois, um pequeno e cheio de cores e um grande o suficiente para acomodar uma criança ao colo e o adulto que a carregava. A hora limite de entrada na "escolinha" aproximava-se e, por entre constantes incentivos à progressão do "chapéu pequeno" e respostas às perguntas do universo, lá chegaram à beira da uma das passadeiras que serve o edifício. Não, vem ninguém? - perguntou o pai ao pequeno que segurava o chapéu, depois de olhar confirmou que não, não vinha ninguém. Ao iniciarem a travessia, do lado oposto ao de onde se encontravam, um carro em baixa velocidade virá lentamente e para em cima da passadeira. Dentro dele, ao volante, uma senhora trazia o seu rebento para deixar na "escolinhas"...
Abrindo os braços na amplitude disponível por entre um saco de fraldas, um chapéu de chuva e uma criança ao colo, pergunta o homem com um tom de voz cortante - A sério?
A senhora, apressadamente, abre o vidro dizendo - É para deixar a criança ali na creche... 
- A sério?! - repete o homem, desta vez com um tom de voz que era já um insulto, acrescentou ainda - Acha que está aí bem?
A senhora arrancou com o carro libertando a passadeira, reclamando qualquer coisa de forma quase inaudível sobre a chuva, a dificuldade de estacionar ou uma mistura de ambos.
Na passadeira, passaram dois chapéus-de-chuva, um pequeno e cheio de cores e outro grande o suficiente para acomodar uma criança ao colo e o adulto que a carregava... minutos depois, uma senhora com uma criança embrulhada num casaco de carapuço, corria nessa mesma passadeira porque no carro que conduzia, não havia nenhum chapéu-de-chuva.

quarta-feira, abril 29, 2020

um bufo*

* imagem não contractual; especificações podem variar no tipo e cor da cobertura exterior e na forma de locomoção; garras não adequadas ao manuseio por menores de 16 anos; guardar fechado em local fresco, seco e desinfectado; para mais informações, dirija-se ao parque florestal mais próximo.

Se fosse um papagaio, não falava, mas prestava uma atenção...

sexta-feira, março 27, 2020

máscaras, luvas, álcool e papel higiénico

Em tempos conturbados por um inimigo invisível, os portugueses (e aparentemente o mundo) assaltaram as superfícies comerciais para manter o olho do cu bem limpinho. 
Em fases negras, em que a protecção é uma necessidade, os portugueses (e aparentemente o mundo) assaltaram as superfícies comerciais para comprar máscaras e luvas.
Em dias atormentados pelo desespero, um homem que está na caixa de um supermercado, com a máscara abaixo do nariz, tenta comprar álcool, e, para a empregada da caixa o perceber melhor, agarra, com as mãos na máscara, baixando-a e diz "quero cinco!"... livra! De certeza que vai assar chouriços... outra razão, não vejo que possa ser.

quinta-feira, outubro 17, 2019

mobilidade sustentável

Como na política, nos clubes de futebol, nas religiões... aqui temos mais uma guerra de merdinhas. Os carros a gasóleo eram bons, os carros eléctricos agora são bons, os transportes públicos continuam a não ser bons (são para os pobrezinhos sem capacidade financeira para adquirir um auto-móvel!), as motas matam muito quem as conduz, as bicicletas são chatas e empatam o trânsito, as trotinetes matam peões (de susto) e ficam deixam-nas em todo o lado... e no meio disto tudo, o que é que esta gente não está a ver? É que todos, sem excepção, foram, são e serão peões!

terça-feira, outubro 01, 2019

game over man... game over

Se não for a baixa natalidade...
Se não forem os fanáticos...
Se não forem as alterações climáticas...
Se não for a intrínseca “parvoíce” humana...
Hão-de ser as máquinas...
A não ser que seja tudo ao mesmo tempo!

A imagem encontrada na rede... algures! Já não me lembro.

segunda-feira, novembro 27, 2017

diz-me o que montas... tratar-te-ei de acordo com tal

No, já algo distante, final da década de 90, tirei a carta de condução e, um pouco influenciado pelo meu progenitor, tirei também a carta de motociclo. As aulas não eram famosas e acabei mesmo por ter repetir o exame de condução... para nunca mais pegar numa mota até há coisa de uns quatro anos atrás (era uma scooter). Daí em diante foi o descalabro! Entre testes a motas de maior ou menor cilindrada, acabei por comprar uma de média cilindrada (se assim se pode chamar), poupada o suficiente para andar (e fugir) ao trânsito em cidade e, como teria de ser, desenrascada e confortável o suficiente para viajar por aí.
Nesta coisa de "andar de moto" fala-se muito do antigamente em que todos se cumprimentavam na estrada, pessoalmente, não me faz espécie mas devo dizer que, dos poucos países onde circulei, este nosso é onde menos se cumprimenta. A culpa pode ser do tipo de deslocação, é certo. Por cá andamos entre casa e trabalho com uma eventual volta num fim-de-semana mais longo ou quando se combina algo entre "a rapaziada mais próxima", na estrada cumprimenta-se, em cidade... temos mais coisas com que nos preocupar (é compreensível).
Numa dessas deslocações para o trabalho, em que fui de mota, ao chegar fui cumprimentado pelo "porteiro", fui cumprimentado pelo indivíduo da recepção, bem como pelos restantes trabalhadores com que me cruzei até ao local de estacionamento... porra! Porque raio não serão eles tão afáveis quando venho com o "aspirador" da minha cara metade?! Nem um cumprimento e, por vezes, até para passar para o estacionamento, é quase preciso pedir licença para se desviarem! O capacete é sempre o mesmo, deveria ser fácil de identificar, não? Venenosa discriminação!

Chamei "aspirador" à scooter mas foi com carinho, não por discriminação motociclista.

quarta-feira, abril 05, 2017

eis um chibo*

* imagem não contratual, especificações podem variar no número de membros de locomoção, quantidade de enfeites cranianos e na pelagem; ar terno e fofo não incluídos; para mais informações desloque-se à quinta oficial mais próxima.

segunda-feira, junho 20, 2016

guia do condutor de velocípede

A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária disponibiliza online um guia para o condutor do velocípede (pode ser consultado aqui). Neste pequeno manual, podem encontrar-se todas as regras a que está sujeita a utilização de bicicletas na via pública... a leitura é aconselhada a ambos os lados, aos que usam a bicicleta e aos que usam veículos motorizados.

Uma no cravo:
Os ciclistas devem respeitar as regras de trânsito tal como se estivessem a conduzir um veículo motorizado, não circular nos passeios, não passar sinais vermelhos, não usar as passadeiras como se fossem peões, sinalizar as manobras devidamente (esta é para rir, todos sabemos que os piscas são opcionais), entre outras, espero que algum agente da autoridade os meta na linha um dia destes.

Uma na ferradura:
Aos automobilistas que não sabem olhar mais adiante que o fim do capot do seu próprio carro, que acham que o ciclista não tem direito circular na estrada, que passam a escassos centímetros dos ciclistas, que têm um comportamento agressivo ao ponto de fazer perigar a vida de outro ser vivo, espero que o sistema da carta por pontos vos tire da estrada muito rapidamente.

A ambos:
Quanto mais depressa os comportamentos imbecis de posse, sobre uma coisa que é de todos, deixarem de existir (todos pagamos impostos, logo, todos temos direito a usufruir das vias públicas) e as regras implementadas forem cumpridas, mais rápida e facilmente chegarão ao destino e, acima de tudo, todos o farão em segurança.




domingo, junho 19, 2016

e o oscar de cena mais caricata da semana vai para...

... um ginásio (ou academia, se preferirem o termo brasileiro) ali para as bandas de Terrugem!
Onde no pátio em frente às instalações, estavam mais de uma dezena de seres a pedalar energicamente, ao ar livre, como se ratinhos fossem, sem sair do sítio, acompanhados de uma música com uma vincada batida, enquanto outros cruzavam o seu campo visual estático a pedalar estrada fora rumo a um indeterminado destino e com uma indeterminada rota.
No mínimo, a cena dava para rir... na pior das hipóteses, para chorar de tanto rir.
Se calhar era boa ideia adaptar aquelas "bicicletas" para produzir energia eléctrica, assim o esforço e o suor desta gente não era tão... desperdiçado?

quarta-feira, maio 04, 2016

lá se foi o D. Sebastião

origem da foto aqui
Parece que agora é de vez... o D. Sebastião não volta com nevoeiro ou sem nevoeiro e, como se já não bastasse, ainda andam por aí a tombar-lhe as estátuas.
Um jovem (?) de 24 anos trepou ao nicho onde a estátua se encontrava na estação do Rossio e, cmo queria ser engraçadinho, acabou por destruir a estátua... as notícias apareceram e os comentários sucederam-se, mas por entre uns quantos que li, maioritariamente a criticar o jovem e a pedir/exigir uma punição à altura, vi um que, de tão desenquadrado da restante corrente, me saltou à vista.

Impressionante. Pagar a estátua, cadeia e quem sabe apedrejamento em praça pública.
Claro que foi uma coisa estúpida, mas, certamente, o rapaz não tinha qualquer intenção de provocar o dito acidente e nunca lhe deve ter passado pela cabeça que iria dar um fanico à estátua. Foi apenas um acidente, certamente com V. Exas. comentadores daqui, já devem ter tido muitos, mas, provavelmente tiveram mais sorte e os acidentes não fizeram tanto estardalhaço.
É chato, sim, mas não é nada de grave. Coisas graves temos muitas, no país e no mundo e gente mal formada e mal intencionada ainda mais.
Aliás, o próprio do D. Sebastião também fez uma coisa muito estúpida, muito mais estúpida, e com graves consequências para ele próprio, para os que o acompanharam a África e para Portugal. Também era jovem,acontece que todos os que morreram, ficaram estropiados ou foram feitos prisioneiros eram de carne e osso e não estátuas inanimadas.

A resposta que faltava:
De facto, temos coisas graves, muito graves, por resolver no nosso país, no entanto não é isso que está em questão aqui. Em questão está, a completa falta de responsabilidade de um "jovem" de 24 anos que quis ser original numa fotografia, incorrendo para isso num crime previsto e punido no código penal (dano qualificado) com direito a pena de prisão até 5 anos ou pena de multa até 600 dia.
Numa altura em que, a informação está ao dispor de praticamente todos e em praticamente todo o lado, é capaz de ser "só um bocadinho estúpido" ter a ideia e achar que é boa ideia ao ponto de a pôr em prática... demasiado estúpido para um "jovem" daquela idade e, claramente, a comentadora está ao nível do "jovem", quer ao nível de conhecimentos sobre leis, quer ao nível de desconhecer o que é viver em sociedade, ao nível do respeito para com a história, o património, as pessoas e tudo o que foi feito para ter o pouco que se tem, quer até também ao nível do egocentrismo desmesurado que prolifera "por aí", ao ponto de chamar sobre si a atenção comentando de forma contrária ao que é esperado. O seu comentário está ao nível do acto do rapaz... desfasado da realidade.

terça-feira, maio 03, 2016

taxistas

Até aceitaria as queixas dos taxistas na novela Uber, afinal de contas, é um serviço que lhes faz concorrência directa (e, poder-se-á mesmo considerar "feroz", pois recorre a uma plataforma simples e mais barata, até para o cliente) mas, há que ver que não haverá, por parte do cliente final (e do público em geral) grande apetite de defender a causa dos taxistas.
Se formos a ver, estamos a falar de uma classe trabalhadora que, sempre que é apresentada uma alternativa à mobilidade, reclama sempre negativamente. Quando se falou em deixar os motociclistas circularem pelas vias destinadas aos transportes públicos (muitas vezes chamadas de faixas de Bus), eles foram contra, aquando do debate da "nova" 2ª circular, fAntral tem feito o que pode (e o que não deve fazer) para proteger os seus interesses prejudicando muitas grupos maiores ou menores de utilizadores da via pública, muitas vezes com comentários despropositados (a raiar o estúpido) por parte das caras que a representam, o que não lhes abona nada a favor em situações como esta da Uber. 
oram contra os ciclistas, até nesta situação da Uber, alguns conseguiram estar contra outros da mesma classe (houve táxis pontapeados por taxistas e pneus furados captados em vídeo)! A
Não é comum ver este nível de fanatismo por futebol ou política e, verdade seja dita, há que admirar a garra com que lutam... mas como no futebol e na política (defesa da cor), a incapacidade de olhar para os próprios erros e os excessos cometidos, acabam sempre por prejudicar a própria cor.

Nota: os taxistas têm, na sua maioria, uma conduta desadequada no convívio em via pública, são, na sua maioria, desrespeitadores do código da estrada e desprovidos de uma conduta ética básica e essencial para a função que desempenham (servir o público), no entanto, deixei de fora essas questões e muitas outras no texto principal, o que interessa é o facto de "serem do contra" em tudo o que possa melhorar/agilizar a mobilidade dentro das cidades.

sexta-feira, outubro 30, 2015

kona!

Não, não aderi à moda da substituição dos "q" por "k", nem estou a querer proferir um impropério referente a um órgão genital, a +Kona Bicycle Co. é uma marca de bicicletas, (é também uma região do Hawai) e acabou por ser, por inúmeras razões, a marca da bicicleta que adquiri recentemente (sim, tenho uma mente ordinária).
A Kona Splice é vendida como sendo uma crosstrail (um cruzamento entre uma bicicleta de estrada e uma de todo-o-terreno... ou algo do género) e tem servido como desculpa para... sair do sofá e fazer... exercício (como se estivesse gordo!), e hoje, fui dar uma volta!
Percorri cerca de 23km durante quase hora e meia (uma média vergonhosa!) mas estes 23km foram cheios de "aventuras", ora vejamos...
  • Um simpático obstáculo com uma carrinha de mudanças decidiu entrar na rotunda mesmo à minha frente, fiz o sinal universal do "és um zé-tolas", porque gritar não servia de nada, nem tinha fôlego para tal, e, logo um simpático condutor (ao qual, infelizmente, não tive oportunidade de agradecer) deu uso da sua buzina e reclamou por mim.
  • Uma simpática condutora, decidiu que entrar na via onde eu circulava (tendo eu prioridade) era uma boa ideia, tinha espaço e tal, esqueceu-se de duas coisas, ter em consideração a velocidade a que me deslocava e olhar para o lado contrário. Se tivesse olhado para o outro lado, teria visto um carro parado em segunda fila. Assim, entrou à minha frente e... parou, quem vier atrás que se aguente... neste caso, que (quase) se espete na traseira!
  • Parado num semáforo, porque há um código da estrada para cumprir, vejo um ciclista passar o vermelho... enquanto lhe largava uma boa meia-dúzia de impropérios pelo comportamento, apercebo-me de uma mota (uma Honda NC qualquer-coisa X) que se aproximava passando pelos automóveis parados, peguei na bicicleta e cheguei-a para o lado para lhe facilitar a passagem. Um obrigado e um polegar foi o que recebi em troca... já tinha ganho o dia (os motociclistas nunca me deixariam mal)! Verde, percorrem-se 50 metros e novo semáforo vermelho, lá estavam todos os carros e a mota, em primeiro no sinal, chegando-se à frente para me dar algum espaço para passar "agora sou eu que agradeço" disse-lhe enquanto lhe devolvia o polegar.
  • Aquando do regresso, fiz uma paragem extra para pedir informações, tive que entrar, com a bicicleta pela mão, dentro de um edifício de portas de vidro para me deslocar à recepção, logo um segurança se levantou ao ver-me entrar... senti-me quase um criminoso por não ter um cadeado para prender a bicicleta no exterior, a primeira, bem como a última, frase que tive que dizer foi "peço desculpa por entrar com a bicicleta".
  • A volta pode ser dividida em duas partes, a ida e o regresso (dah!) e, o regresso, coincidiu com a hora de ponta... nunca fui tão ultrapassado na minha vida como hoje! Até fui ultrapassado por um pápa-reformas a subir (a descer acho que ele é que não tinha hipótese)! Mas em contrapartida... deu-me um gozo enorme passar por todos os que me ultrapassavam quando chegava a um semáforo... isto das duas rodas tem as suas vantagens... seja a pedal ou a motor!
  • Algures quase no fim do trajecto, num local onde o piso era bastante irregular (os buracos ainda tinham um pouco de alcatrão) mas em descida, consegui aperceber-me que, o automobilista que me seguia, optou claramente por não me ultrapassar (tinha espaço e visibilidade para o fazer) deixando-me corrigir a trajectória para evitar os buracos, os carros estacionados em segunda fila e tudo o mais que naquela rua acontece. Se bem me apercebi, mais fiz questão de lhe agradecer o cuidado e atenção para com a minha pessoa (ele retribuiu o gesto com o levantar da mão ao passar alguns metros mais adiante, eu sabia que ainda existem automobilistas conscienciosos).
Não percam o próximo episódio... porque nós, também não!

quarta-feira, janeiro 07, 2015

religiões e outras comichões

Tal como na base genética da espécie humana há uma enorme variedade, visível nas diferentes cores, da pele, do cabelo e dos olhos, também na forma de pensar, nos costumes e nas crenças a humanidade consegue ter variedade.
Da mesma forma que a primeira variedade, a das cores, deu azo a actos de absurda atrocidade fruto da estupidez humana, a segunda, a das crenças, consegue elevar a estupidez humana a um novo nível... bem vistas as coisas, nada mais é que uma discussão sobre quem tem o melhor amigo imaginário...

quarta-feira, dezembro 24, 2014

feliz natal

Aos que já não me lembro onde os conheci, aos que há pouco tempo conheço, aos que apenas conheço virtualmente, aos familiares e amigos de todos eles... um santo e feliz natal!

quarta-feira, janeiro 15, 2014

guia do peão

No final do ano passado a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária apresentou o "guia do peão", um manual de conduta para os utentes mais vulneráveis das vias públicas, os peões. 
Bom era que, todos os que são peões, se dessem ao trabalho de ler este guia, não só para se lembrarem das regras que já deviam saber, mas acima de tudo porque tem bem explícito e enquadrado numa caixa vermelha impossível de passar despercebida "o que não deve fazer".
Pena é não ter aparecido mais cedo e não ser bastante mais divulgado a fim de despertar a curiosidade dos utentes das vias públicas.
Fica aqui também a ligação para leitura do GUIA DO PEÃO (abre numa nova janela).

sexta-feira, junho 21, 2013

wing commander

Ahhh... tantas horas passadas com os amigos a tentar passar missões com animações de má qualidade que nos pareciam fantásticas e que nos obrigavam a arrancar os 386 especificamente configurados para conseguirmos jogar sem ter de abdicar da qualidade gráfica... o Wing Commander era um hino à "cromo" que havia em cada um de nós que se estendeu para os restantes títulos criados dentro da mesma temática até ao spin-off Privateer em que o contrabando era a maneira de ganhar muito dinheiro e ao Strike Commander passado num futuro não muito distante (2011?! LOL) em que o petróleo era cada vez mais escasso e os mercenários tinham ganho asas, voávamos num F-16 Fighting Falcon dos Wildcats tentando manter as contas fora do vermelho. Como dizia o Virgil "something that we never run out off is red ink!"... a vida era tão fácil, mas tudo parecia ser um drama enorme e agora é tudo tão "pateta" quando se olha para trás :)

quarta-feira, abril 03, 2013

ambiente de sala de espera

Só o nome já arrepia! Sala de espera define local onde se deita fora tempo e, até há bem pouco tempo, era muitas vezes um suplício passar horas numa "sala de espera". Continua a ser um suplício, mas actualmente é visível que as pessoas se limitam a esperar, sem qualquer necessidade de interagir entre elas preferindo interagir com o telemóvel.
Este centrar das atenções na electrónica de bolso leva a que haja um decréscimo acentuado das espécies que têm o seu habitat natural nas salas de espera... o "partilhador de vida própria" e o "engraçado". O primeiro faz da história da sua família uma novela mexicana, daquelas que aparenta não ter fim, uma novela composta por um drama, polvilhada com situações dramáticas e cheia pormenores de fino recorte dramático, o segundo, fala alto de maneira a chamar a atenção sobre si mesmo e insiste nas piadas de bolso de qualidade duvidosa e, regra geral, pouco eficazes.
Não lamento o desaparecimento destas espécies, se para a primeira uma sequência de "sim... pois... acontece... é a vida... pois" eram suficientes para os manter a pensar que lhes estávamos a dar a atenção que acham que merecem, já o segundo implica todo um complexo movimento facial devidamente enquadrado e aceite culturalmente como "um sorriso"... pessoalmente saiam-me mais esgares compreendidos como escárnio ou como dor... benditos aparelhos electrónicos por melhorarem os tempos espera e as respectivas torturas!

sábado, maio 26, 2012

passadeiras

Quer esteja a chover, quer faça sol, de há vários anos a esta parte que o comportamento por parte dos peões quando chegam a uma passadeira é... continuar a andar como se nada fosse, e quem lá vem que se aguente!
Quando o automobilista não pára, a conversa é sempre a mesma "Isto é uma passadeira!", no entanto, no código da estrada, que os automobilistas têm que saber e nenhum peão é obrigado a saber, contempla na sua redacção o seguinte:

(...)

Artigo 101.º
Atravessamento da faixa de rodagem

1 - Os peões não podem atravessar a faixa de rodagem sem previamente se certificarem de que, tendo em conta a distância que os separa dos veículos que nela transitam e a respectiva velocidade, o podem fazer sem perigo de acidente.
2 - O atravessamento da faixa de rodagem deve fazer-se o mais rapidamente possível.
3 - Os peões só podem atravessar a faixa de rodagem nas passagens especialmente sinalizadas para esse efeito ou, quando nenhuma exista a uma distância inferior a 50 m, perpendicularmente ao eixo da faixa de rodagem.
4 - Os peões não devem parar na faixa de rodagem ou utilizar os passeios de modo a prejudicar ou perturbar o trânsito.
5 - Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de €10 a €50.

(...)

Artigo 103.º
Cuidados a observar pelos condutores

1 - Ao aproximar-se de uma passagem de peões assinalada, em que a circulação de veículos está regulada por sinalização luminosa, o condutor, mesmo que a sinalização lhe permita avançar, deve deixar passar os peões que já tenham iniciado a travessia da faixa de rodagem.
2 - Ao aproximar-se de uma passagem para peões, junto da qual a circulação de veículos não está regulada nem por sinalização luminosa nem por agente, o condutor deve reduzir a velocidade e, se necessário, parar para deixar passar os peões que já tenham iniciado a travessia da faixa de rodagem.
3 - Ao mudar de direcção, o condutor, mesmo não existindo passagem assinalada para a travessia de peões, deve reduzir a sua velocidade e, se necessário, parar a fim de deixar passar os peões que estejam
a atravessar a faixa de rodagem da via em que vai entrar.
4 - Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de €120 a €600.

(...)
Qualquer um que saiba ler Português, vai conseguir perceber que, os peões têm que se certificar de que não causam acidentes e que o condutor deve parar para deixar passar os peões que já tenham iniciado a travessia, e não, o automobilista que se foda que eu ainda nem cheguei à passadeira e já iniciei a travessia! Mais curioso ainda é que, em toda a redacção do código da estrada, em lado algum está escrito que o peão tem prioridade sobre um automóvel, mas o automobilista é que é sempre o mau da fita, o assassino, o acelera, enquanto que o peão é um coitadinho... eu já vi uma velha de bengala correr para se meter à frente do meu carro para atravessar a estrada!
A todo o artista-peão que gosta de atravessar a rua na diagonal, que gosta de fazer da passadeira uma passagem de modelos, que se atira para a frente de um carro que se aproxima a 40 km/h quando este está a menos de 17 metros (ou a menos de 20 metros se estiver a chover) gostava, sinceramente, que ponderasse bem as suas escolhas de vida, é que de certeza que não vai ter capacidade de andar sem ser acompanhado de canadianas ou de cadeira de rodas durante muito mais tempo, e isto é partindo do princípio de que não perde a própria vida (que pelos vistos, não valoriza)!

(foto tirada de "tese e antítese", simulador de travagem de veículos "stopping distances" 25mph=40km/h, código da estrada na página da autoridade nacional para a segurança rodoviária)

sexta-feira, março 30, 2012

hora do planeta

Amanhã é o dia em que se preparam para, durante uma hora a partir das 20h30, apagar as luzes para poupar o planeta...
Todos estão convidados a participar neste acontecimento mundial, ao qual 83 localidades portuguesas já aderiram (é tão mundial que até a estação espacial que não gasta electricidade produzida no planeta também vai aderir) o que eu acho muito bem, mas acho que se poderia ir mais além, a esta iniciativa deveria juntar-se também a paragem de todos os automóveis, todos os comboios, barcos, os aeroportos, os centros comerciais, as cimenteiras e tudo o mais que necessita de energia, de uma ou outra forma, para que fazer seja o que for. Porra! Sejamos realmente radicais e desligamos até as próprias centrais produtoras de electricidade!
Porque uma hora chega para equilibrar a trampa que se faz durante um ano inteiro de luzes acesas, portas de frigoríficos mal fechadas, torneiras a pingar, trânsito e carros parados com o motor a trabalhar minutos a fio, os computadores que se deixam toda a noite ligados no trabalho, o papel da impressora que não reaproveitamos e todos os outros pequenos gestos que não controlamos e com os quais se prejudicamos este calhau à volta do sol (e a nossa carteira).
Aderir à hora do planeta? Não, de forma alguma! Porque é uma acção estúpida e pontual e não uma iniciativa continuada capaz de trazer qualquer tipo de melhoria efectiva para o planeta, e, já diz o povo há muitos anos, de boas intenções está o inferno cheio!

terça-feira, dezembro 27, 2011

crise e o automóvel

Há uns meses troquei de carro, comprei um carro usado porque comprar um novo é um luxo ao qual não me posso dar, mas ainda assim, aquele tupperware usado valeu oito mil euros do meu dinheiro, o que é bem mais de metade de um ano do meu trabalho. Apesar do governo (a troika e o diabo que os carregue) me considerar "rico" nestes tempos de crise, o meu meio de transporte para o trabalho (vou de carro porque demoraria cinco vezes mais tempo se fosse de transportes) tem que ficar na rua, sujeito a todo o tipo de "agressões", desde a caca dos pombos que alguns vizinhos teimam em alimentar, até às manobras desajeitadas de outras pessoas que têm veículo próprio.
Não sei se os automóveis, veículos, carros, tupperwares ou o que lhe quiserem chamar, das outras pessoas lhes custam a pagar, ou se têm de fazer sacrifícios para os comprar e manter, mas o meu tupperware custou (para ser franco, ainda custa), e como tal, perco as estribeiras quando o vejo danificado pela azelhice de alguém. Já não me passo pelo dano visível, já não me irrito pela despesa inerente a uma reparação desnecessária, fico pior que fodido é pela absoluta e completa falta de consciência das outras pessoas! Um carro não passa de um objecto, mas é um objecto caro, e pelos vistos há gente que é capaz de tratar mais de nove mil euros (valor de um qualquer tupperware/mini-carro novo nos dias de hoje) como se de um "carrinho" de choque se tratasse! Será possível que não tenham consciência do valor daquele objecto? Será que "a crise" ainda não lhes bateu à porta? Ou será o culminar de toda uma lavagem cerebral consumista que se apoderou do mundo? Poderá ser falta de vista? Talvez seja só um completo desprendimento dos bens materiais, ou uma maneira de viver despreocupada, mas para mim é apenas (mais) uma filha da putice que me vai sair do bolso!
Ao proprietário do smart branco que me deixou o pára-choques naquele estado... deus o guie contra um poste!