quinta-feira, dezembro 18, 2008

pré-tupperware

Gosto do som do trabalhar de mecânicas antigas e desactualizadas. Parando num qualquer semáforo mais demorado numa estrada em que se passa sem rota definida mas com um destino... nesses momentos, quase consigo ver alguém sentado numa sala a fazer rabiscos numa folha de papel, e daí seguindo para um processo de fabrico e montagem, coisas feitas com cálculo e método, mas que, poderiam não ser bem assim, reaproveitando, reutilizando, repensando, recalculando, metal e faísca, plástico e molde, borracha e calor, vidro e sonho... ligando sintético e natural bruto trabalhado e apurado, milhares de conclusões de processos que originam novos processos em sequência, misturados e aglomerados aos poucos, cruzando-se entre si para dar origem a um produto final de cromados reluzentes e cor lustrosa e luminosa. Ar, óleo, água e gasolina, cada qual com a sua função de manter animado um objecto não vivo, insensível, indiferente... que ao rodar de uma chave descodificada, pois a electrónica ainda só ajuda apenas, ainda não domina, ainda não corrompe a pureza de um tetracilíndrico que se anima meio engasgado antes de começar a ronronar passados segundos... um orgulhoso proprietário quando novo... um desinteressado segundo dono... um desligado terceiro... e um último, que lhe pede que seja ele próprio (como se o objecto pudesse compreender...), que, simplesmente se realize no objectivo para o qual foi fabricado... rolar com carisma e que desperte desejo!
Desejo já não desperta, a idade e a electrónica a isso levaram, mas o carisma, esse nunca se perde... tudo isto, por um simples trabalhar com-passado...
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