terça-feira, dezembro 27, 2011

crise e o automóvel

Há uns meses troquei de carro, comprei um carro usado porque comprar um novo é um luxo ao qual não me posso dar, mas ainda assim, aquele tupperware usado valeu oito mil euros do meu dinheiro, o que é bem mais de metade de um ano do meu trabalho. Apesar do governo (a troika e o diabo que os carregue) me considerar "rico" nestes tempos de crise, o meu meio de transporte para o trabalho (vou de carro porque demoraria cinco vezes mais tempo se fosse de transportes) tem que ficar na rua, sujeito a todo o tipo de "agressões", desde a caca dos pombos que alguns vizinhos teimam em alimentar, até às manobras desajeitadas de outras pessoas que têm veículo próprio.
Não sei se os automóveis, veículos, carros, tupperwares ou o que lhe quiserem chamar, das outras pessoas lhes custam a pagar, ou se têm de fazer sacrifícios para os comprar e manter, mas o meu tupperware custou (para ser franco, ainda custa), e como tal, perco as estribeiras quando o vejo danificado pela azelhice de alguém. Já não me passo pelo dano visível, já não me irrito pela despesa inerente a uma reparação desnecessária, fico pior que fodido é pela absoluta e completa falta de consciência das outras pessoas! Um carro não passa de um objecto, mas é um objecto caro, e pelos vistos há gente que é capaz de tratar mais de nove mil euros (valor de um qualquer tupperware/mini-carro novo nos dias de hoje) como se de um "carrinho" de choque se tratasse! Será possível que não tenham consciência do valor daquele objecto? Será que "a crise" ainda não lhes bateu à porta? Ou será o culminar de toda uma lavagem cerebral consumista que se apoderou do mundo? Poderá ser falta de vista? Talvez seja só um completo desprendimento dos bens materiais, ou uma maneira de viver despreocupada, mas para mim é apenas (mais) uma filha da putice que me vai sair do bolso!
Ao proprietário do smart branco que me deixou o pára-choques naquele estado... deus o guie contra um poste!
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