quinta-feira, novembro 20, 2008

lisboa

Recorri ao transporte público de massas, o metropolitano, a um horário não coincidente com de quem vai trabalhar, a meio da manhã. A rede do metro (para os amigos) teve um valente aumento na sua extensão, o que por um lado o tornou mais abrangente, também o tornou mais demorado (é um assunto que apenas será resolvido no futuro, com as ligações entre linhas). Esta demora acaba por fazer com que seja compensatório andar a pé em vez de percorrer mais umas quantas estações e fazer mudanças de linha, desde que tenha pernas, prefiro ir a pé "poupando" no tempo.
Andei cerca de 3 km a pé, e a conclusão a que cheguei é que Lisboa, como cidade, está moribunda... grande parte do comércio encontra-se fechado por tempo indeterminado, e até os centros comerciais aparentam desolação (mesmo os mais recentes), acumulam-se as viaturas abandonadas aqui e ali constantemente alvejadas pelos pombos, um sem número de prédios de fachada elaborada não têm tecto, não têm manutenção, ou estão escorados para que não cedam à força descoberta por Newton... e os pedestres? Os pedestres variam dos aposentados que se imobilizam ao sol num banco de um qualquer "jardim" mal tratado, passando por um baixo número de jovens que partilha esses mesmos jardins para "fumar umas", até aos sem abrigo e os pedintes, que daqui e dali fazem o "seu cantinho" ou a "sua fonte de rendimento"... tudo em tons pálidos, mortos, decadentes e sem apuro... a excepção são os funcionários dos bancos e os vendedores de automóveis, os "bem vestidos" que se encontram à porta para contornar a lei do tabaco porque, não há quem entre nos estabelecimentos para lhes ocupar o tempo.
Olhando para o chão, as pedras da calçada estão gastas, e nos intervalos entre elas, rapidamente se perde a conta às pontas de cigarro neste "cinzeiro português", as folhas das árvores, já nuas, amontoam-se onde o vento as larga... quem passa de carro, porque o transporte público é para quem sofre com a tal crise, não vê, não tem tempo para ver... que Lisboa está a morrer...
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