terça-feira, fevereiro 06, 2007

mais do mesmo

Os assuntos da actualidade são recorrentes em todos os canais de informação. Jornais, televisão, "outdoors" e até a publicidade que chega pelo correio.
Lembram-se daqueles auto-colantes amarelos que havia para colocar nas caixas do correio há uns anos atrás? Pois, a de minha casa tem um desses. Já lá estava, e achei por bem não me entupirem a caixa do correio com papéis do professor Mutumbu, publicidades de operadores de telecomunicações, e outros tantos papéis fotocopiados ou impressos a impinguir a utilização de um serviço qualquer.
Supostamente apenas entram na minha caixa do correio (soa esquisito dizer "minha", questão de hábito, digo eu) contas... o que não é bom, mas é um mal necessário para que possa usufruir daqueles certos serviços indispensáveis ao mais básico dos confortos, ficam assim as contas catalogadas como "correspondência tolerável".
Mas hoje não! Acho que vou mesmo que ter que perder a cabeça com os tipos engraçadinhos (e que pelos vistos não sabem ler) da "conferência episcopal portuguesa" e com as associações suas apêndices com nomes sempre compostos com a palavra "católico"!
Um dos papéis, um cor-de-rosa adequado para transmitir uma proximidade com a maternidade, tinha o questionário seguinte (as respostas possíveis eram "sim" ou "não" em todas as questões, umas frases em letra normal outras em negrito tal como vou colocar):
  1. A uma mulher com dificuldades na vida é a morte do filho que a sociedade oferece?
  2. Liberalizar o aborto torna a sociedade solidária?
  3. A mulher é mais digna por poder abortar?
  4. Uma sociedade que nega o direito de nascer, respeita os Direitos Humanos?
  5. É maior o direito da mãe a abortar do que o direito da criança a nascer?
  6. Sem razão clínica, abortos são cuidados de saúde?
  7. Concorda que a saúde de outras mulheres fique à espera?
  8. Aborto "a pedido da mulher". Há filho sem pai?
  9. Quem engravida gera um filho. Mata-se um filho?
  10. É-se mais humano às 10 semanas e 1 dia do que às 10 semanas?
Questões e regras de Português à parte (porque, sinceramente esperava bem melhor de quem não faz ponta de corno, apregoa cultura, e tem tempo livre de sobra!), passo a responder da mesma forma... com perguntas!
  1. É culpando, e instigando o sentimento de culpa na mulher que a igreja ajuda as mulheres com dificuldades? (já alguém reparou que tudo é pecado?)
  2. Ameaçar de excomunhão quem votar sim no referendo torna a sociedade mais solidária? (prática comum no interior do país)
  3. Discriminar a mulher no ceio da igreja dando-lhe um papel secundário contribui para a mulher ser mais digna?
  4. Uma sociedade que dá a liberdade de escolha, pode ser acusada de não respeitar os Direitos Humanos? (se a igreja tivesse o poder para isso, ainda haveria inquisição, mas isso agora não vem ao caso!)
  5. Clinicamente já temos definido "morte", e "nascimento", está definido? (vamos ter que utilizar o mesmo ponto, actividade cerebral)
  6. Esperam que, sendo o aborto despenalizado, os abortos sejam realizados num vão de escada? (ou em analogia, sem produzirem nada acham bem terem benefícios fiscais?)
  7. Concorda com o sistema de saúde? E com as listas de espera? E com o tempo para uma consulta? E com... ?
  8. O filho cujo pai não o reconhece, não o cria, não o educa, não o ama, é Pai? (e não entro em mais pormenores, que a igreja já cheia de "pormenores" destes!)
  9. Uma mulher que é violada gera um filho é obrigada a viver com a recordação viva dessa violação? (exemplo extremo? ainda assim um exemplo real!)
  10. (finalmente uma pergunta decente!) Sendo o desenvolvimento do feto in-utero sequencial e sempre igual, conseguem-me demonstrar, com base em factos, que um dia no desenvolvimento não faz diferença?
Na minha opinião, nenhuma mulher vai fazer um aborto "só para saber como é que é"! A decisão de fazer um aborto já é bastante difícil para a mulher (e em casos, para o homem também) só por si, não é uma decisão tomada de ânimo leve!
Ora, e se os "meninos de coro" se deixassem estar na toca deles, onde vivem às custas da restante sociedade, e deixassem as Mulheres e os Homens, comuns mortais, sair da "idade das trevas" onde ainda estaríamos pela vontade da igreja, não fariam melhor figura?!
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