sábado, fevereiro 14, 2009

sensações

Li uma discussão acesa sobre "sensações" ao volante... uma batalha de opiniões em que um defendia a pureza dos mais antigos, e outro a supremacia da tecnologia actual.
Estive para responder. Cheguei mesmo a redigir um texto algo extenso em forma de resposta, pois não me é indiferente. Entre ter, ou não, algum prazer nas minhas deslocações ou viagens ao volante, prefiro tê-lo pois, de certa forma, a vida sorri um pouco mais (isto deve ser efeitos da idade, ando a querer tirar prazer das mais pequenas coisas, ou talvez seja algum vírus que anda no ar), tenho um pouco mais de boa disposição, um pouco mais de paciência, uma pequena margem mais que sempre me ajuda a aturar/ignorar ou desligar das argoladas do "Carlos".
E o debate estava quente, a raiar o ofensivo, mas eu não respondi... a minha opinião é minha, e é esta:
É quase ridículo comparar um automóvel com 20, 15 ou até 10 anos, com um actual acabado de sair da fábrica. Toda a filosofia do produto final é diferente, as necessidades de espaço, as exigências de conforto, as normas ambientais, as obrigações no campo da segurança, e até as regras da economia, ditão resultados finais completamente dispares.
O que torna o clássico/antigo belo é inversamente proporcional ao que torna apetecível um reluzente saído do stand, ou seja, o seu recheio de nada. O facto de não ter mordomias, não ter botões com funções que não se sabe bem o que fazem, não ter um sentimento de segurança intrínseco, ter um conforto sofrível, ter um motor que gasta (e polui) demasiado para o que anda, não ter um manómetro de temperatura do óleo ou outra merda qualquer que só serve para "encher" (e de utilidade quase nula no dia-a-dia)... escolheria para todos os dias um automóvel(/tupperware) que fosse um meio de transporte com todas as paneleirices de conforto e de assistência à condução que considero adequadas a percursos de 7 a 20 quilómetros, porque mais não preciso, e tudo o que viesse a mais era puro desperdício... sei que um tupperware supera facilmente um automóvel com 20 anos, e daí? Carros com essa idade tem estatuto próprio, existem e "vivem" de e para fãs (ler "fanáticos").
Eu aprecio essa simplicidade, sem fanatismos, gosto pelo prazer que me dão e (até) pelo medo que me incutem... mas não necessariamente todos os dias.
E adorei conduzi-lo em pista!
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