terça-feira, outubro 19, 2010

octavia I

Por cortesia de um dos patrocinadores da world bike tour, fui fazer um test-drive a um skoda, já não fazia um há uns anos, e se da última vez ia de espírito aberto (e não de bolsa aberta, que isso de carros novos não me fica nada bem), desta ia decidido a fazer o teste para... puder falar mal com conhecimento de causa!
Meia dúzia de palavras com o funcionário (colaborador! nunca mais me adapto) e lá estava eu, dentro de uma combi (?) dessa marca que é um parente barato da vw... 15 a 20 minutos por minha conta, seria fácil encontrar coisas para falar mal! Era uma carrinha, pesada e cheia de mordomias, que na maior parte dos casos nem sei para que servem, era a gasóleo (coisa que está na moda mas é um disparate a meu ver, tal como os carros híbridos, mas até esses são a gasolina) com um motor de "baixa" cilindrada... seria demasiado fácil...

Sentei-me, ajustei a profundidade, as costas e a altura do banco, regulei os espelhos, coloquei o cinto... a caixa parecia agradável, a direcção era demasiado assistida (ahã!), o pedal da embraiagem era esponjoso (ahãããã!), não se ouvia o motor, e os aparelhómetros tinham uma informação digital mesmo à frente do meu nariz que não parecia servir para nada (indicava se deveria mudar de mudança, e para qual... dah!).
Circular em mau piso não é "bom" (eu bem sabia que isto era um tupperware!), ao fim de alguns quilómetros em empedrado arriscava-me naquele instante a dizer que "deve ser uma bela merda", escolhi um percurso que conheço e onde passei dezenas de vez, faz parte do trajecto do trabalho, e lá fui eu avaliar o "comportamento" daquele "rabo gordo"... abusei um pouco, pois havia margem para isso, foi possivelmente, de todas, a vez que mais rápido ali passei (hm?!), e na curva mais apertada, encostei o acelerador ao fundo, sentia-se a electrónica a trabalhar, não ganhava velocidade, os pneus não chiavam, a trajectória não alargava, não era preciso corrigir nada na direcção, nem os ressaltos do pavimento fizeram a Octavia mudar de rota! Mais adiante repeti a dose! E em curvas onde, quem não acerta com os tempos, desafina a música toda... nada! Nem um centímetro! Nada de nada!

Voltei para casa triste... compreendo que, a bem da segurança rodoviária, haja todo um arsenal de electrónica que trabalha preventivamente para evitar o acidente, e isso, actualmente faz com que qualquer primata consiga conduzir um automóvel... o que mais triste me deixou, não foi o facto de todo o gozo e prazer que me dá a condução ter sido removido do acto de conduzir por um imenso polvo que se estende a toda a máquina e que se chama Electrónica, é ter noção da quantidade de acidentes, de feridos e de mortos que ainda há todos os dias nas estradas, quando os automóveis são assim, indistintos, neutros, perdoadores e seguros.
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