domingo, abril 22, 2007

e então?

Porque é que andas preocupado? - perguntou-me ele, enquanto olha lá para fora por entre as ripas do estore... vestia as mesmas calças de ganga de cor preta pardacenta, que centenas de outras vezes havia usado... o mesmo casaco de ganga azul ruço de uso... tinha as mãos nos bolsos, como tantas vezes o vi fazer (porque é que estou com a senseação que já escrevi isto?)... estava visivelmente magro e tinha o cabelo rapado...
Caminhei até à janela, olhei para ele, confirmei que para além de todos os outros pormenores (onde nunca me enganaria), era realmente ele... a cara, e o olhar castanho escuro... era ele sem dúvida! Dirigi o olhar para o lado oposto ao dele, para a minha direita... o silêncio mantinha-se, não havia pressa na resposta. Eu não gostava da resposta. A resposta que tinha para lhe dar implicava admitir a minha incapacidade (era algo em que havia trabalho arduamente), mesmo para com ele, sendo ele quem era, não era coisa que eu fizesse de ânimo leve. Olhei... estacionado lá em baixo estava um automóvel de dois volumes, preto, um pug... nada de especial. Era igual a milhares de outros... excepto... - Ainda não está a funcionar como eu quero... - algo era meu naquele automóvel - Hás-de encontrar a solução...

Ainda não a encontrei... mas acredito que já estive mais longe.
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