terça-feira, dezembro 05, 2006

mau (início de) dia

O telefone tocou. Ao atender, ouviu a voz de alguém que lhe era particularmente importante. A conversa, essa já ele esperava mais cedo ou mais tarde. Havia alterações, mudanças, que se impunham... coisas da vida! Eram como... duas linhas parelelas... mas que nunca se tocam entre si. Ele ficaria bem, havia prometido que sim... mesmo assim, ao desligar, não pode deixar de maldizer o destino, mas só e apenas, para com os seus botões.
Parece que havia greve dos transportes, as ruas da cidade estavam cheias de um colesterol de diversas cores e tamanhos. Acabou por chegar atrasado ao emprego... o trânsito a isso o obrigou, mas quem manda, não tem esses problemas... não precisa de cumprir horários.
Quem poderia ser agora? O telefone voltava a dar sinal... atendeu... estupefacto, deixou-o cair... pegou nas suas coisas, deixou o computador ligado, ouviu o chefe chamá-lo, e saiu sem dar explicações a ninguém... meteu-se no carro cor de prata e... parecia um avião prester a lançar-se no ar!
Estava frente a uma mulher... abraçava-a, enquanto ela tentava dizer qualquer coisa... qualquer coisa que ele queria saber, tinha que saber! Já não era nada cedo, desde manhã cedo que não comia... entraram num café cheio de gente... sentaram-se onde era possível. Enquanto a mulher que o havia colocado neste mundo, lhe contava a situação estúpida e descabida que havia levado a este fim, ele sentia uma imensa angústia sufocar-lhe o peito... uma imensa e crescente angústia conforme ia visualizando, com os olhos da mente, o que se tinha passado mais cedo nesse dia... pousou os cotovelos no tampo da mesa, e segurou a cabeça numa posição em que ninguém, nem mesmo sua mãe lhe podesse ver os olhos... podia dar-se ao luxo de chorar?... deixou a mágoa inundar-lhe os olhos... e chorou. Seu pai estava morto...

(medicamento não sujeito a receita médica, em caso de dúvida ou persistência dos sintomas consulte o seu médico)
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